Como implantar o assessment em recrutamento e seleção.

A cada dia cresce mais o número de empresas comercializando ferramentas para avaliação de perfil. Todas fornecendo a melhor solução e o treinamento mais completo do mercado. Mas a verdade deve ser dita:

Ninguém sai de uma formação sabendo utilizar o assessment no dia a dia. Todos saem com o conteúdo sobre o que é a metodologia e como ler aquele relatório. Mas quando se deparam com a aplicabilidade se veem perdidos e sem alguém com experiência para ajudá-los.

A primeira pergunta que sempre me fazem é: Como saber qual ferramenta de assessment aplicar em recrutamento e seleção?

Minha resposta sempre virá com outra pergunta: Que tipo de resposta você busca encontrar nesta ferramenta? Se o RH não sabe que tipo de informação é relevante ele ter do candidato para fazer o cruzamento com o cargo e saber se aquele candidato vai ou não atender as expectativas da função, ele está correndo um grande risco de contratar uma ferramenta que não vai lhe atender e poderá tomar uma decisão errada quanto aquele profissional, o que poderá trazer prejuízos tanto para a empresa quanto para a pessoa.

A segunda pergunta: Em qual etapa do processo de recrutamento e seleção eu incluo o assessment?

O ideal seria no início de todo processo, antes mesmo da entrevista, para que na entrevista você possa validar o quanto este profissional possui autoconhecimento e sabe das suas forças e suas fraquezas e onde precisa se desenvolver. Muitas vezes o recrutador também pode decidir nem chamar para uma entrevista se acaso ele perceber que aquele perfil está muito distante do que querem para aquela função, isso já otimiza tempo e recursos com os processos. Afinal das contas, já existem pesquisas, que comprovam, que as pessoas são contratadas pelas competências e demitidas pelo comportamento!

Mas e aí, como sei se aquele perfil está ou não distante do cargo?

Antes de buscar um profissional no mercado é preciso ter claro o que desejam dele, quais serão suas atribuições, que tipo de comportamento pode atrapalhar ou ajudar nos seus resultados, com que tipo de perfil ele vai se relacionar no dia a dia, quais valores são importantes para a organização, quais motivações trarão mais resultados, quais metas e desafios ele vai encontrar pela frente e muitas outras questões devem ser levantadas para a construção deste cargo. Só após este levantamento minucioso de informações que você terá um norte de que tipo de perfil você precisa para cada função.

Outra dúvida frequente é: Devo ou não dar a devolutiva para o candidato?

A devolutiva ou interpretação dos resultados gera autoconhecimento e possivelmente mudanças de comportamentos. Não seria interessante se você soubesse por qual motivo você não passou em todas as entrevistas que você fez na vida? O quanto estas informações iriam contribuir para o seu desenvolvimento profissional e pessoal? Sei que a área de recursos humanos não possui tempo para dar uma devolutiva para todos os participantes do processo, mas será que não poderia fazer a diferença pelo menos nos finalistas?

E para aqueles que foram contratados e foi aplicado uma ferramenta de avaliação de perfil, o que foi feito com o resultado?

Muitas vezes está arquivado e ele nem sabe quais foram os pontos fortes que fizeram ele passar na entrevista e nem aqueles pontos que deixaram o RH e o gestor com dúvida se contrataria ou não e que precisaria de um acompanhamento e desenvolvimento.

A mensagem que quero deixar aqui é que as informações levantadas em uma ferramenta de avaliação de perfil são muito valiosas, para o recrutador na hora de tomar a decisão se contrata ou não, para o gestor no momento de desenvolver este colaborador que está chegando agora na empresa e para a pessoa que terá maior clareza de quem ela é e como ela pode se desenvolver para trazer maiores resultados.


Katia Miyazono – Sócia diretora da Acerto RH, Especialista em Assessment (DISC, Valores, Motivadores, Inteligência Emocional, Competências, Axiologia, Atributos, Talentos, Avaliação 360° e Profiler) Coaching e Idealizadora do grupo de estudos Café com Assessment.

Você realmente sabe fazer uma devolutiva do DISC?

Todos os profissionais que realizam uma formação em assessment acreditam que sairão de lá, pelo menos, com uma noção básica de como realizar a devolutiva, interpretação dos resultados para o seu cliente ou colaborador, mas na prática não é bem assim que acontece.

As empresas, quando desenvolvem um treinamento de assessment estão preocupadas em passar o conteúdo teórico, exercícios para fixar os conceitos e não ensinam a utilizar a ferramenta no dia a dia e suas diversas aplicabilidades.

São inúmeras as aplicações práticas destas ferramentas, mas em todas elas, o que tem em comum é a interpretação dos resultados para quem preencheu a avaliação. E como eu faço isso de uma forma ética, eficiente, eficaz e que traga realmente resultados?

Alguns pontos importantes a serem analisados antes mesmo do profissional preencher o questionário é a atenção na hora da implantação do projeto. Antes de mais nada, é de extrema relevância, que o profissional que vai receber o acesso para preenchimento de um questionário, seja para recrutamento e seleção, programa de treinamento e desenvolvimento ou coaching, saiba o que é aquilo e o que será feito com os resultados deles.

Vamos imaginar a seguinte situação: Uma pessoa venda seus olhos e pede para você abrir a boca, você vai se sentir segura em fazer isso ou não? Irá começar e pensar milhões de coisas ruins que poderão colocar na sua boca. Será que passaria pela sua cabeça que irão colocar um chocolate bem gostoso? Então, isso acontece quando alguém pede para você preencher um teste sem ao menos saber o motivo pelo qual está fazendo isso, gera medo, insegurança, desconfiança, etc.

Por onde começar a fazer a devolutiva DISC

  • A Devolutiva nada mais é do que um bate papo entre duas pessoas. Comece sempre perguntando como foi para ela preencher o questionário, se ela teve facilidade ou dificuldade na escolha das opções, se ela foi interrompida e como se sentiu no momento do preenchimento. Ter estas informações é de extrema relevância, primeiro para criar Rapport e segundo para saber como conduzir a conversa dali para frente.
  • Você deve falar apenas o que o assessment se propõem a entregar, nada mais além disso, não tente buscar respostas que não estão naquela ferramenta. Se você está utilizando apenas a metodologia DISC irá falar apenas de comportamentos e emoções observáveis.O que posso e o que não posso falar.
  • Entrar em outras dimensões da personalidade é um risco, pois a pessoa que está recebendo a devolutiva DISC é leiga no assunto. Ela vai acreditar na autoridade, neste caso você, e conduzir sua vida e decisões com base no que você disser. Tente fortalecer o lado positivo do perfil, mas não deixe de comentar pontos de desenvolvimento que possam atrapalhar esta pessoa em relação ao seu objetivo.

Como analisar os Gap’s para desenvolvimento

Antes de falar o que a pessoa precisa ou não desenvolver, o profissional que está realizando a devolutiva DISC precisa entender o cenário em que este profissional está inserido. Por exemplo: qual seu cargo, quais suas metas, quais seus objetivos pessoais e profissionais, entre outras questões. Além disso, dependendo da ferramenta que você está utilizando no processo, ela não mede competências já desenvolvidas. Desse modo, você corre o risco de falar para a pessoa desenvolver determinada competência que, ao longo da vida dela, ela já desenvolveu.

Como elaborar o plano de desenvolvimento individual (PDI)

A partir do momento em que sabemos quem a pessoa é e qual o objetivo que ela deseja alcançar, podemos cruzar estes resultados e identificar o que está ajudando e o que está prejudicando-a a atingir sua meta. Junto com a pessoa iremos identificar os pontos mais relevantes; aqueles que impactarão diretamente no atingimento do resultado almejado.

Uma dica: Trabalhar um ponto de cada vez, assim que tiver evidências que a pessoa já desenvolveu este ponto, partir para o próximo.

Para que você saiba como fazer uma devolutiva DISC assertiva, eficiente e eficaz, demanda um pouco de dedicação e prática. Muitas vezes contratar uma mentoria de um especialista na área ajuda muito a acelerar este processo, ou, até mesmo, trabalhar com empresas que prestam este suporte, pós-formação.

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Artigo originalmente publicado no site da Cloud Coaching https://www.cloudcoaching.com.br/voce-realmente-sabe-fazer-uma-devolutiva-do-disc/


Katia Miyazono – Sócia diretora da Acerto RH, Especialista em Assessment (DISC, Valores, Motivadores, Inteligência Emocional, Competências, Axiologia, Atributos, Talentos, Avaliação 360° e Profiler) Coaching e Idealizadora do grupo de estudos Café com Assessment.