Orientação de carreira, qual assessment utilizar?

Acompanho muito de perto o mercado de assessment e o que mais vejo são profissionais usando ferramentas elaboradas em Excel ou um DISC para fazer uma orientação de carreira.

ERRO grave! O DISC não mede em qual carreira serei mais ou menos feliz, ele mede como vou atuar nesta carreira que eu escolhi. Um ótimo exemplo é o professor. Temos professores com os mais diversos estilos comportamentais, os mais falantes, os mais sérios, mais extrovertidos ou introvertidos, aqueles com mais ou menos paciência, mais calmos ou inquietos. Isso prova que perfil comportamental não é direcionador de carreira.

A reflexão que fica é que o valor/motivador de todos estes professores são os mesmos, mas cada um executa o seu trabalho da sua forma e, provavelmente, todos possuem bons resultados dentro do seu estilo comportamental.

Ok, mas existe uma ferramenta no mercado para eu descobrir qual carreira eu gosto mais? Sim, existem algumas e hoje vou falar sobre a teoria de valores/motivadores.

Mas afinal, o que são os Valores/Motivadores?

Nossas diversas experiências diárias nos conduzem às nossas crenças, as quais, estas crenças, nos permitem formarmos nossos valores, ou seja, aquilo que valorizamos ou não.

Valorizar ou não algo ou alguma coisa culmina na visão que desenvolvemos em relação a cada pessoa, situação e oportunidade, o que influencia, diretamente, em nossa atitude.

O psicólogo, professor, filósofo alemão e Ph.D em Filosofia Eduard Spranger escreveu em 1914 Formas de Vida. Neste estudo ele detalhou sobre os tipos de valores motivacionais de cada pessoa, sendo, cada uma, com suas características especificas em relação às atividades, atitudes e valores.

Após anos de estudo esta teoria foi alterada e hoje temos 7 fatores motivacionais, conforme mencionado e detalhado abaixo:

Valor Estético

As pessoas que possuem este valor como paixão tendem a apreciar o belo que se encontra ao seu redor e permite que este o influencie. Procura evitar situações que causem conflito ou desarmonia.

Prováveis carreiras: Artistas de diversas áreas, criação de marketing, paisagismo, arquitetura e web design.

Valor Teórico

O Alto Teórico tende a dedicar-se a novas descobertas, compreender o que ocorre ao seu redor e assim sistematizar a verdade. Suas teorias não são baseadas na fé ou na subjetividade, mas apoia-se no princípio da razão, verdade, pesquisa e saber. Aprecia a busca pelo conhecimento. Investiga para entender algo, assim como para realizar descobertas.

Prováveis carreiras: Professores, carreiras técnicas, cientistas, pesquisadores e programadores.

Valor Econômico

Uma pessoa com este valor alto dá mais valor para dinheiro, resultados práticos e retorno sobre investimento. É realmente interessada no que é útil. Sua paixão é utilizar recursos para atingir resultados, aplicando-os de forma criativa e obter um retorno mensurável em todos os seus investimentos. Está sempre comparando a utilidade de um objetivo com o seu custo.

Prováveis carreiras: Empreendedor, vendedor, comprador, gestor e investidor.

Valor Individualista

A pessoa individualista busca ser única e independente. Gosta do destaque e expressar a sua singularidade por onde passa. Preocupada em controlar seu próprio destino e proteger sua própria atuação. Demonstra uma alta independência e projeta autoconfiança.

Prováveis carreiras: Aquelas em que ele possa ter autonomia para ser ele mesmo, áreas de inovação e que possam trazer reconhecimento.

Valor Político

Esta motivação refere-se ao desejo de ser líder e ter influência e controle sobre o ambiente ou o sucesso. Tendem a serem mais competitivos e buscam alcançar altos cargos dentro da organização em que trabalham.

Prováveis carreiras: Cargos de liderança, advocacia (analisar a área) e medicina (analisar a área).

Valor Altruísta

Esta motivação é uma expressão da necessidade de beneficiar os demais em um sentido humanitário. Há uma sinceridade genuína nesta dimensão para ajudar os outros, dedicando-lhes tempo, recursos e energia.

Prováveis carreiras: Área de treinamento de desenvolvimento, psicologia, assistente social e líderes servidores.

Valor Regulador

Estas são pessoas que costumam ser mais disciplinadas e seguem o protocolo de funcionamento padrão. Indica a tendência para estabelecer a ordem, rotina e estrutura. Trazem uma abordagem tradicional e segura, através de padrões e protocolos. Possuem tendência a verem as regras como uma chave para os resultados.

Prováveis carreiras: Alguma carreira religiosa, militares e trabalhar em empresas onde a cultura é bem definida e alinhada a suas crenças.

E então, se identificou com algum dos valores citados acima? Sua carreira está alinhada de fato a ele?

Saiba que você tem mais de um valor alto e eles se combinam entre si para que a orientação de carreira seja ainda mais assertiva.


Katia Miyazono – Sócia diretora da Acerto RH, Especialista em Assessment (DISC, Valores, Motivadores, Inteligência Emocional, Competências, Axiologia, Atributos, Talentos, Avaliação 360° e Profiler) Coaching e Idealizadora do grupo de estudos Café com Assessment.

Qual a importância em desenvolver o autoconhecimento?

Cada dia mais recebemos uma enxurrada de informações sobre o tema autoconhecimento. São um monte de técnicas, vários profissionais, muitos “gurus” trazendo todas as soluções possíveis e imagináveis para que possamos desenvolver o autoconhecimento. E, desse modo, solucionar todos os problemas da nossa vida, carreira, propósito, relacionamento, comunicação, como se fosse a coisa mais fácil e simples do mundo. Sinto muito em dizer que todos estão enganados!!!

O processo de autoconhecimento é longo e deve partir da própria pessoa, pois muitas vezes é um processo doloroso que nem todos estão dispostos e, o mais importante, prontos a enfrentar. Este processo consiste em um olhar profundo para dentro de si mesmo onde iremos nos deparar com medos, crenças, sabotadores, máscaras, além de descobrir um ser humano novo, até o momento desconhecido, que teremos que aprender a lidar com este novo ser.

Acredito que deu para entender o porquê mencionei de ser um processo difícil, longo e muitas vezes doloroso. Está bom Katia, eu entendi, mas mesmo assim estou disposto a enfrentar todos estes monstros dentro de mim para me tornar um ser humano melhor, ter mais resultados e evoluir como pessoa, então por onde eu começo?

Vou dar algumas dicas que podem te ajudar a desenvolver o autoconhecimento:

1. Terapia

A terapia é uma etapa importantíssima no processo de autoconhecimento para avaliarmos acontecimentos no nosso passado, que formaram a nossa personalidade, e junto formaram nossos traumas, medos e crenças, para conseguirmos entender de onde tudo isso vem e encontrar a raiz do problema.

2. Meditação

Para muitas pessoas a meditação é a forma mais difícil para buscar e desenvolver o autoconhecimento devido ao foco e concentração que se fazem necessários, mas enquanto não aprendermos a parar de olhar para o mundo e começarmos a olhar e sentir nós mesmos o autoconhecimento não vai acontecer.

3. Assessment

O mercado oferece muitas ferramentas de avaliação de perfil, potencial e talentos que colaboram para trazer a nível de consciência muitas informações de quem você realmente é, onde você está e para onde pretende ir, quais seus valores, suas motivações, seu nível de inteligência emocional, sua forma de aprendizado, seu estilo de comunicação e muitas outras informações relevantes para conduzir todo o processo de autoconhecimento. Porém, se você não buscar um profissional capacitado nestas ferramentas, que realmente saiba INTERPRETAR os resultados, nada vai adiantarOBS: DISC não é uma ferramenta que trará um processo profundo de autoconhecimento; tome cuidado com o que o mercado fala.

4. Coaching

Se você possui uma meta clara e bem definida, mas encontra muitas dificuldades, bloqueios e muitas vezes você mesmo se sabota para atingi-la, um BOM coach pode te guiar nesta jornada. Tome muito cuidado aqui com os “gurus” que dizem fazer mágica para resolver seus problemas, mágicas não existem, vivemos em um mundo real, com pessoas reais, que possuem limitações e se o profissional não for muito bom, pode atrapalhar o processo ao invés de ajudar.

5. Mentoria

Assim como o Coach, você deve procurar um profissional experiente, que possa te conduzir neste mergulho pessoal, que domine as ferramentas que você escolheu usar e que saiba realmente como utilizar na prática. Este será o seu mentor, que vai lhe ajudar a encontrar o seu caminho.

6. Leitura

Ler, sim isso mesmo, apenas ler. Pode ser o mais simples do que falamos até agora, mas existem obras fantásticas. E que, com certeza, farão você parar para refletir sobre você, sua vida, as pessoas e o mundo.

7. Desenvolvimento espiritual

Para mim, a mais importante de todas as dicas. Não importa a religião, crença ou doutrina que você segue, a evolução espiritual vai te ajudar a entender qual o seu papel neste mundo. Isso pode ser a peça-chave para desvendar todo o mistério que está por trás do processo do autoconhecimento.

Espero que estas dicas possam te ajudar a encontrar o EU interior, que está aí dentro de você escondidinho, esperando aflorar para entregar ao mundo o que tem de melhor e conseguir realizar todos os seus sonhos e metas, alinhadas a quem você é e não em quem os outros querem que você seja.

Desenvolver o autoconhecimento é um processo que não tem fim, iremos sempre descobrir algo novo sobre nós, pois somos seres mutáveis e em constante evolução. Por isso, não acredite que apenas um processo de coaching ou algumas ferramentas de autoconhecimento serão suficientes para você se tornar a melhor versão de si mesmo. Este será apenas o início de uma longa jornada.

Artigo, originalmente, publicado em https://www.cloudcoaching.com.br/qual-a-importancia-em-desenvolver-o-autoconhecimento/


Katia Miyazono – Sócia diretora da Acerto RH, Especialista em Assessment (DISC, Valores, Motivadores, Inteligência Emocional, Competências, Axiologia, Atributos, Talentos, Avaliação 360° e Profiler) Coaching e Idealizadora do grupo de estudos Café com Assessment.

Como utilizar o Assessment para Identificar e Reter Talentos

Assessment nada mais é do que uma forma de avaliação e aqui iremos abordar os assessments para avaliação de pessoas e talentos para entender como eles podem ajudar a identificar os talentos e pontos fortes de cada indivíduo.

São muitos os assessments ofertados no mercado, mas quais deles podem realmente te ajudar a ser mais assertivo na contratação, no desenvolvimento e retenção destes talentos?

Abaixo vou citar algumas ferramentas que estão disponíveis no mercado e que podem trazer respostas relevantes para entender o ser humano e conseguir identificar potencias e talentos para colocar a pessoa certa, no lugar certo e na hora certa!

Mas não esqueça, é importante saber que o ser humano é muito mias do que teorias e avaliações, é preciso analisar muitas outras coisas como: experiencia de vida, experiencia profissional, maturidade, educação, ética, etc. Só assim teremos uma leitura mais completa de quem realmente as pessoas são.

DISC

Uma das teorias mais utilizadas para avaliação de comportamentos e que mede apenas isso, comportamentos e emoções observáveis.  Dominância, Influência, Estabilidade e Conformidade são os 4 estilos de comportamentos que esta ferramenta avalia.

Mas então o DISC mede Talentos? NÃO, SIM, QUEM SABE… sabemos que ele mede uma preferência comportamental que cada indivíduo tem. Se este comportamento se tornou um talento ou não, não temos como saber.

Valores e Motivadores

Esta teoria traz informações do que cada pessoa gosta e para que ela dá valor na vida, o que a motiva para a ação. São sete os valores identificados: Estética, Econômico, Individualista, político, altruísta, regulador e teórico.

Ah!!! Então os valores motivadores medem talentos? NÃO, SIM, QUEM SABE… esta teoria dá indícios das preferências de carreira de cada pessoa e como vou motivar e reter os talentos da empresa. A questão é: Só porque gosto de liderar, tenho talento para ser líder?

Inteligência Emocional

Teoria que deveria, na minha opinião ser aplicado em todo ser humano e usada como guia para o desenvolvimento pessoal e profissional. Traz informações do quanto entendemos os sentimentos e as emoções dos outros e os nossos sentimentos e emoções. Isso interfere diretamente nos relacionamentos e nos resultados que temos ao longo da nossa trajetória de vida. Mede fatores como: Felicidade, otimismo, autoestima, controle emocional, controle da impulsividade, gestão do estresse, empatia, percepção da emoção, expressão da emoção, relacionamentos, gestão da emoção, assertividade, consciência social, adaptabilidade e automotivação.

Então mede talentos? NÃO, SIM, QUEM SABE… O que sabemos é que quanto maior o nível de inteligência emocional do ser humano, maiores resultados ele terá na vida.

Axiologia

É uma ciência matemática que mede a clareza que eu tenho das coisas que acontecem no mundo e as coisas que acontecem comigo mesmo. Mede também a minha preferência em relação à tomada de decisão e algumas competências que teria mais facilidade em desenvolver por ter maior clareza delas. Mede fatores como: Empatia, Pensamento prático, julgamento de sistemas, autoestima, conhecimento da função e autodireção.

Está aí, esta é a teoria para medir talentos? NÃO, SIM, QUEM SABE, se eu tenho maior clareza do mundo, de quem eu sou, de onde eu estou e para onde eu vou, automaticamente tenho clareza dos meus talentos também, mas será que todos têm esta clareza? O que posso dizer é que de todas as teorias que eu conheço esta é a que mais ajuda a identificar talentos, mas ainda assim, não podemos nos basear apenas nela para uma tomada de decisão.

Que conclusão tiramos de tudo isso?

Ao utilizarmos os assessments devemos pensar igual aos médicos, quando vamos em uma consulta reclamando de dor constante na cabeça, nos é solicitado apenas um exame? Não, e sabe por quê? Bom, o médico até pode desconfiar qual é o nosso problema, mas só terá certeza se fizer uma bateria de exames para encontrar onde realmente ele está e poder tratá-lo da forma certa, sem riscos para o paciente.

Assessment é a mesma coisa, o problema pode ser comportamento inadequado do colaborador? Sim, mas não temos certeza disso, pode ser que este comportamento tenha surgido devido à baixa inteligência emocional para lidar com seus sentimentos, ou por não estar sendo aproveitado no seu real talento, ou ainda não estar claro para ele qual seu papel dentro da organização. Usar vários assessments trará várias respostas e uma delas pode ser aquela que você procura.

Percebo no mercado a dificuldade em saber identificar que assessment devo utilizar em cada situação, isso acontece pois as respostas que você busca não estão claras para você, nem mesmo você sabe o que precisa identificar, desta forma usa o assessment mais simples, mais barato ou que melhor se identifica, mas nem sempre o caminho mais curto e mais fácil é o melhor caminho.

Busque identificar e entender as pessoas na sua singularidade, cada um tem seus talentos, cada um tem uma historia de vida, cada um tem seus traumas e suas crenças, o que necessita de um olhar único para o indivíduo, isso se chama empatia, olhar para o outro e se colocar na situação dele, sem críticas e sem julgamentos.

No momento em que você conseguir fazer isso vai extrair do ser humano a sua essência e conseguir desenvolver e reter este talento de forma mais assertiva onde ambos os lados tendem a ganhar.

Artigo originalmente publicado na página https://www.cloudcoaching.com.br/como-utilizar-o-assessment-para-identificar-e-reter-talentos/


Katia Miyazono – Sócia diretora da Acerto RH, Especialista em Assessment (DISC, Valores, Motivadores, Inteligência Emocional, Competências, Axiologia, Atributos, Talentos, Avaliação 360° e Profiler) Coaching e Idealizadora do grupo de estudos Café com Assessment.