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Qual o perfil comportamental ideal para liderança?

Para quem trabalha com avaliações que medem perfil comportamental como metodologia DISC, MBTI, PI, Profiler e outros que existem no mercado, fica aqui o meu alerta: Vocês precisam tomar muito cuidado para não rotular e definir o perfil comportamental ideal de líderes, pois isso não existe. Contratar líderes aplicando perfil comportamental ou promover pessoas para cargos de liderança por meio desta avaliação é o maior erro dentro das organizações.

Qualquer perfil comportamental pode ser um ótimo líder, apenas exercerão a liderança de maneira diferente. Liderança não se resume a comportamentos e sim, a um conjunto imenso de características. De nada adianta eu ter facilidade para liderar se eu não gosto de exercer a liderança, assim como, eu posso ter facilidade e gostar, mas ainda não tenho competências desenvolvidas que irão fazer com que eu entregue uma liderança eficaz e assertiva.

Vamos entender um pouco mais do estilo de liderança de cada perfil comportamental?

DOMINÂNCIA

Possui um estilo mais autoritário e centraliza muito as decisões, a última palavra deve ser sempre a dele. É mais direto e objetivo com foco maior nos resultados do que nas pessoas. Desse modo, não gosta de rodeios e de reuniões, almoços e cafés muito demorados, a não ser que, o assunto seja trabalho e não assuntos pessoais que não levam a nada e lugar nenhum. Tende a ser visto, como o líder mais egocêntrico e agressivo (isso se pensarmos apenas em comportamentos naturais). Este estilo de liderança pode ser muito bom para liderar equipes mais imaturas que precisam ser dirigidas e controladas, em empresas mais agressivas para resultados.

INFLUÊNCIA

Este estilo já lidera por meio da persuasão e convencimento, tem muita facilidade em vender uma ideia e é muito próximo e amigo de todos. Suas reuniões e cafés são mais demorados, pois não são muito diretos, gostam de conversar sobre diversos assuntos, podem até ser dispersos e perder o foco principal da reunião. Pensam mais nas pessoas e relacionamentos do que no resultado que esta pessoa precisa trazer. Tendem a se tornar amigo de seus liderados por este motivo, lideram melhor pessoas mais maduras e autogerenciáveis e em empresas que prezam mais pelo lado humano.

ESTABILIDADE

Assim como a influência a estabilidade lidera por meio das pessoas, mas com foco mais individual, ouve mais e fala menos, é muito observador e muito planejado; costuma ser a “mãezona” ou o “paizão” da equipe. Este estilo preza pela harmonia dos relacionamentos neste caso, colocá-lo para liderar uma equipe que está no meio do caos não dará muito certo. Ele é muito bom ouvinte e possui facilidade para intermediar conflitos. Também precisa trabalhar em uma empresa que valoriza mais as pessoas e que estão mais estruturadas.

CONFORMIDADE

Lidera por meio do exemplo, pois se é para fazer bem feito, este é o perfil. Preza por uma entrega de qualidade e precisão, mas tende a centralizar muito os processos e as tarefas, é um líder mais exigente e muito difícil de agradar. Está mais preocupado com o processo e as tarefas do que com as pessoas. Precisa trabalhar com uma equipe mais madura e experiente que transmita confiança para ele e este se sinta seguro em delegar. Para ele é importante trabalhar em uma empresa muito estruturada, com normas e procedimentos bem definidos.

Gosto de lembrar que estamos falando de fatores isolados e as pessoas costumam ter mais de um fator que vão interagir entre si. Também não estamos analisando a educação, maturidade, experiência de vida, traumas, medos, experiência profissional, e tudo isso interfere na entrega. Perfil comportamental mede potencial e não entrega, isso tem que ficar bem claro quando se usa este tipo de metodologia.

Interessante saber que todos os perfis comportamentais podem liderar? Agora, será que eles querem liderar? Será que gostam de conduzir pessoas em busca de resultados? Isso os testes de perfil comportamental não medem, teremos que abordar outras dimensões da personalidade. Uma delas que pode trazer este tipo de informação é a teoria de Eduard Spranger, que vai medir os valores e motivadores de cada um e saberemos se esta pessoa gosta, é motivada e dá valor para cargos de liderança.

Outra questão que podemos levantar são as competências.

Não é porque eu gosto, dou valor para liderar e tenho facilidade comportamental para liderar que eu tenha desenvolvido competências que são importantes para a liderança.

Habilidades interpessoais, resiliência, pensamento estratégico, planejamento, comprometimento, responsabilidade pessoal, entre outras dezenas de competências que se fazem importantes para entregar uma liderança eficiente e eficaz, isso medimos por meio de uma boa entrevista por competências ou testes específicos para medir esta dimensão.

Não confunda perfil comportamental com valores, com inteligência emocional e com competências, pois ele mede apenas comportamentos, nada mais e nada menos que isso.

Espero, que a partir de agora então você comece a olhar para outros estilos de liderança de forma diferente e entenda que TODOS podem liderar, o que precisamos é avaliar outras dimensões que não são percebidas tão facilmente como os comportamentos.

Este artigo foi originalmente publicado no site da Cloud Coaching  


Katia Miyazono – Sócia diretora da Acerto RH, Especialista em Assessment (DISC, Valores, Motivadores, Inteligência Emocional, Competências, Axiologia, Atributos, Talentos, Avaliação 360° e Profiler) Coaching e Idealizadora do grupo de estudos Café com Assessment.

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